Meu nome é Renam Meinen e sou jornalista formado. E não apenas isto; sou simplesmente o melhor jornalista que existe, comprovadamente. A pesquisa, encomendada por mim, foi feita e é divulgada pela minha mãe. A margem de erro é de todos os outros jornalistas para mais, ou para menos. De qualquer forma, amo o que faço mais do que Rufles com Coca-Cola. Ou seja: muito mesmo.
Completei a faculdade de Jornalismo no ano passado, e sinto falta do seio acadêmico. Mas quem não sentiria falta de um bom seio, não é? Me conformo. Sei que ainda há muito pela frente, estou no auge de meus 22 anos - o que me dá mais cinco anos de vida se minha mãe estiver certa e eu for mesmo um mito, tal como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison ou Amy Winehouse. Mas no, no, no... (Está tão na moda falar da Winehouse que essa menina não morre tão cedo.)
Como ia dizendo, estou com 22 anos. É uma fase complicada da vida, na qual se descobre que, ao contrário do que se pensava na infância, você não pode ser tudo o que quer ser. Jamais poderei ser um avatar, por exemplo. O que me frustra, pois adoro azul. Hoje eu sei. Na verdade, minha ficha começou a cair mesmo quando me dei por conta de que jamais poderia pilotar a nave da Xuxa. Foi como se tivessem cortado meu cordão umbilical pela segunda vez; algo que parecia parte de mim, se foi.
Sou filho único. Há quem diga que é ótimo - inacreditavelmente, todos aqueles que têm irmãos. As teorias me divertem. "No Natal, todos os presentes são para você". "Você não tem que dividir a atenção com mais ninguém". "Suas roupas são só suas". A última, confesso, é a que mais me intriga. O fato de alguém pegar a "minha roupa" não faz com que a roupa não seja mais minha - do contrário, seria furto ou pior, roubo, caso praticado com violência. Em todo caso, não vejo problema em dividir o que tenho. A não ser que seja brigadeiro, mas aí também já é sacanagem.
Ainda sobre as outras afirmações, igualmente discordo. Se o filho do Eike Batista tivesse dez irmãos, acredito que ele ainda receberia mais presentes no Natal do que eu. Não que eu não tenha gostado da cueca bege que ganhei em 2010, longe disto – é brincadeira. Sobre "não ter que dividir as atenções"... é aqui que realmente me incomodo. Todo filho único sabe que, com mais atenção sobre os ombros, qualquer que seja o passo em falso lá estará mamãe ou papai com a "chinela" nas mãos. O que me faz lembrar que ainda não fiz minha carta de agradecimentos a Havaianas por suspender a fabricação do modelo feito com bambu e taquara. Só não consegui escapar dos modelos com tiras presas com prego, mas aí a culpa já não é da fabricante - era simplesmente uma customização do produto feita pela minha mãe, me diriam os franceses anos mais tarde.
Eu sempre quis ter uma coluna de opinião, e é isto que me motivou a escrever. Para ser franco, eu até já tinha uma coluna, e já tinha opinião, então só faltava mesmo juntar as duas coisas. Agora me parece o casamento perfeito – se é que se pode unir na mesma frase casamento e perfeição.
Neste espaço, mesclarei ideias e humor de quinta. Mas sempre às terças. Isso, é claro, se eu voltar na próxima semana. Só por garantia: caso algo aconteça, deixo tudo à caridade.
Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 26 de julho de 2011.
