terça-feira, 24 de abril de 2012

Um ano a mais ou a menos?

Eu nasci em 29 de abril, Dia Mundial das Associações Cristãs Femininas. Você pode até não ter se dado conta, mas sabe o que isso representa em minha personalidade? Nada, absolutamente nada. Mas ainda assim é o dia do meu aniversário.

Estou a uma semana de completar mais 365 dias – escrevo a coluna aos domingos – e me pergunto: tenho um ano a mais ou um ano a menos? Não soube me responder. É fato que tenho mais tempo de vida, mais conhecimento, mais contas e credores. Em contrapartida me restam menos anos, menos prazo para realizar sonhos antigos, menos cabelos. Pode parecer um questionamento precoce, afinal completo 23 anos no próximo fim de semana. Mas a expectativa de vida no Brasil é de 73,5 anos, ou seja: na metade do próximo ano terei completado, tendo por base esta perspectiva, um terço da minha jornada. E sabe o que fiz até aqui? Praticamente coisa nenhuma. Apenas sai das fraldas.

O.k., o.k.: terminei a escola, me formei numa faculdade, juntei um punhado de bons amigos ao longo dessa vida e convenci uma linda descendente de italianos que sabe fazer tortellini a namorar comigo, então não posso reclamar da esfera pessoal. Aliás, com os quilos que ganhei durante a faculdade, eu mesmo virei uma esfera, pessoal. Mas estou trabalhando na silhueta.

No campo profissional também tive minhas conquistas. Comecei como empacotador de balas. Sei que é difícil imaginar um gordinho respeitando o estoque, mas levo trabalho a sério. Em seguida virei auxiliar-faz-tudo numa empresa que instalava placas e adesivos, função pouco recomendada a alguém que tenha medo de altura – sim, tenho pavor. Lembro-me que foram tempos difíceis, nos quais me reencontrei com Deus: era subir no andaime para a reza começar. Fiquei neste emprego poucos meses, já que logo depois me tornei empacotador de supermercado! Já na faculdade virei repórter, e regredi na vida...

Não sou do tipo pessimista. Sei que ainda tenho mais de dois terços de vida pela frente – e são, claro, os mais importantes. As perspectivas são muitas. Até porque odeio aquele papo de “estou velho demais para isto”. Algumas pessoas cismam em deixar os anos passar inertes; sempre há alguma boa (?) desculpa para não recomeçar, não voltar a estudar, não arrumar os dentes. Acabo de ver a seguinte manchete num site: “Emerson Fittipaldi, 65 anos, mostra talento ao estrear no wakeboard”. O Emerson Fittipaldi, minha gente, poderia estar sentado na cadeira de balanço fazendo tricô ou jogando bingo... E talvez você até devesse, Emerson. Mas esta é a prova de que nunca se é velho demais para começar qualquer coisa que seja.

Minha preocupação, caso ainda não tenha ficado claro, é a seguinte: fiz muitas coisas até aqui, mas nada que deva ficar para a posteridade. Dizem que ao longo da vida devemos plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Um terço de existência praticamente completado, até o momento só cultivei no fundo de casa um pé de mamona, que já foi derrubado; criei um blog e arduamente trabalhei, com suor e látex, para ter filho algum. Analisando agora, parece que luto para não ser lembrado. Mas espero ser, ao menos pelos meus. Se serei, ainda não sei, mas já estou sem linhas e preciso encerrar os devaneios. E hoje quero acabar diferente: prefiro construir meus textos sozinho, mas é meu aniversário e vou me presentear com uma frase do Carlos Castelo, genial, que li nesse domingo. “O futuro a Deus pertence. E o passado, adeus”.

PS: Agora, com vocês, John Mayer...



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 24 de abril de 2012.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Os tempos de escola

Terceirão B do MGP em 2006; saudade
Os tempos de escola são, provavelmente, os melhores anos que você já teve e nunca mais vai ter. Lá você conhece as pessoas mais incríveis da sua vida. Lá estão os piores valentões prevalecidos que os homens vão encontrar. Lá estão as maiores vagabundas com quem as mulheres vão concorrer. É a escola, e tudo o que acontece na escola, que vai definir o quão preparado você está para a vida. E é na escola que essa sua vida atual começou a ser definida. Lembro que até nos falaram isso, mas na época ninguém acreditava naqueles velhos caretas...

Algumas das maiores lições que já tive aprendi na escola. Exemplos: na
Organizador de muvuca since forever
5ª série, jamais deixe de emprestar a borracha para o aluno tatuado repetente há quatro anos – é sério. E se você arranjar uma briga saiba que não importa o tamanho do seu oponente, apenas dê o primeiro soco e tenha certeza de que pode correr mais do que o outro. Não dê o primeiro soco caso ele tenha uma gangue. Não corra se você sabe que ele vai te alcançar – acredite, é pior. E por último: não arranje brigas na escola.

A maioria das primeiras experiências você acaba tendo no colégio: a primeira vez longe dos pais, a primeira prova, a primeira vontade
Escola: tempo de muita dúvida e cabelo
incontrolável de mijar sem poder sair da sala, o primeiro beijo. Ah, o primeiro beijo! Aquela sensação horripilante de ter outra língua que não é a sua dentro da boca... As garotas nesta época já ficaram “mocinhas” e os meninos já descobriram que “pegar”, sem contar para os amigos, não tem a menor graça.

À medida que o tempo passa e as crianças vão crescendo, meninos e meninas começam a se dar melhor; antes, elas eram apenas um grupo de frescas. É quando acontecem as primeiras atrações sexuais. E lá está a escola fazendo o seu papel: mostrando fotografias de gonorreia e
Prova da Thabata: consulta amiga
cancro mole para controlar a garotada. Mas nem tudo é terror: lembro-me de uma professora colocando camisinha numa banana. Eu tinha 12 anos, e aquele foi o momento mais erótico de minha vida até ali.

Você sabe, eu sei, e não serei hipócrita em minha própria coluna: é na escola que toda pessoa tem a sua primeira experiência com as drogas. Hoje eu posso falar disto com liberdade, pois já estou limpo desde o fim do Terceirão: a partir dali nunca mais tive contato com a Matemática, a Física e a Química. Aliás, o grande barato do vestibular é poder escolher só o que você quer fazer – e exatamente por isso a tarefa é tão difícil. Decidi fazer Jornalismo no último dia de inscrição.
Aqui ainda não conhecia meu futuro piso
Sério, eu simplesmente achava que tinha vocação para tudo – ou, vexame, para nada. Minha outra opção naquela época era ser professor de História. Passei nos dois vestibulares e defini a minha vida; aos 17 anos, se abriram dois caminhos para eu ser pobre e fiquei com um deles.

Se você já saiu da escola, não tem mais jeito. Pode ter aproveitado os melhores anos da sua vida de forma útil ou desperdiçado seu tempo rindo dos nerds que hoje lhe oferecem emprego. Caso ainda esteja numa, parabéns: você ainda pode ficar milionário ou passar o resto da
Último dia na escola; saindo escoltado
vida trabalhando no Bob’s. Se ainda estiver, curta o momento: passa rápido. Trate bem as tias da merenda. Venere os sábios e mal pagos mestres. Jamais falte às aulas, você vai sentir falta depois. E aproveite o máximo possível o tempo com os seus melhores amigos. Acredite, não importa quantas promessas vocês façam uns aos outros, eles vão sumir. Agora, se eu pudesse dar uma dica, apenas uma dica mesmo, diria o seguinte: nunca deixe de emprestar a borracha.

PS: Agora, com vocês, Toquinho, é óbvio...



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 17 de abril de 2012.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Vontade de meter o pau

Vez em quando todo mundo precisa dar uma metidinha. Eu, você, o português da padaria. E hoje acordei com vontade de meter o pau mesmo. Mas não me entenda mal, por favor. Só quero colocar ou pau – ou até mesmo o dedo, que seja – na política, na corrupção, no errado da vida. Enfim, hoje decidi mudar o mundo. E pra conseguir mudar a direção dos caminhos da humanidade nada melhor do que fazer um texto no conforto do lar, bebendo Coca-Cola. Esta é a primeira lição que todo grande revolucionário aprende. Então avante, guerreiro!

Já estou cansado de ver tudo errado e decidi dar um basta: marquei consulta com meu oftalmologista. No mais, estou farto de certas situações rotineiras que passamos a enxergar com naturalidade. Estou morando em Criciúma e por aqui o diferente é quando ninguém é morto durante a madrugada. O que é isso, companheiro? Mas que cidade de Deus é essa? Ó paí, ó! Talvez eu seja apenas um rapaz latino-americano – sem dinheiro no banco, com certeza – que veio do interior e ainda não se adaptou a uma cidade maior. Mas é que em Araranguá a coisa era bem mais tranquila: lá só tinha homicídio a cada dois dias.

Reclamação e política são sinônimas – e no campo político a grama também já virou lama: um lamaçal danado. Em Brasília, se gritar pega ladrão só fica mesmo o Demóstenes Torres. Ficha limpa? Nada, cara de pau. Quem já enganou a sociedade por tanto tempo não se custa a encenar por mais um ato. É que a gente ainda não entendeu, mas a lei do capitalismo no Distrito Federal é diferente: lá é receber do povo e pagar de santo. E caso alguém tenha qualquer dúvida basta fazer uma consulta nos nossos anais. Colocam tudo lá.

Mas o que mais me revolta mesmo, mais me revolta mesmo, é pessoa querendo discutir piada. Tenho pré-disposição ao humor e sofro com isto. Sabe aquele tipo de gente sem graça e sem sal que vive dizendo na Páscoa que coelho não bota ovo, que questiona o papagaio falante do conto, que pergunta se realmente achamos que todos os portugueses são burros? Poxa, será que realmente ainda é necessário provar? O.k., o.k.: coelhos não põem ovos, papagaios não formam frases longas ou ligam para tele-sexos e portugueses não são burros. Vocês têm razão. Pronto, derrotaram o humorista. Agora durmam com um silêncio destes! E só peço uma coisa aos chatos de plantão: não me chamem caso acordem. Estarei debatendo Marx com o Louro durante toda a madrugada...

Profissão repórter

Dia 7 de abril, sábado, foi o Dia do Jornalista. E você pode até não saber, mas convive – ou conviveu – com a melhor jornalista que o mercado já produziu: a sua mãe. Mãe te informa sobre os afazeres da casa, te passa os contatos de toda a família, agenda as consultas médicas, te assessora com a lavagem da roupa e ainda te deixa a par da previsão do tempo. Mãe é um jornal completo, que sai (da cama) todo dia bem cedinho e que nunca atrasa. Mãe só não tem caderno de esportes, mas aí contrata um pai para estagiar...

Jornalista que teve pais éticos só entrega verdades. Não se esqueça de no futuro agradecer os meus, sociedade.

PS: Agora, com vocês, Zé Geraldo, voltando ao tema inicial da curta coluna...



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 10 de abril de 2012.

terça-feira, 3 de abril de 2012

As nossas reinvenções

Tudo novo de novo...
É incrível a capacidade que o ser humano tem para se reinventar. Você e eu já nos reinventamos centenas de vezes. Niemeyer, milhões de vezes. E sempre que as coisas começam a dar errado a gente acredita que logo tudo vai dar certo. E dá, com fé, força e trabalho – a menos que o seu nome seja Murphy: nestes casos, a fila ao lado sempre é mais rápida, toda partícula que voa encontra um olho e o salto alto pra ser bonito tem que machucar (muito) o pé.

A capacidade que temos para nos reinventar está diretamente associada à nossa inclinação à esperança, que por sua vez só existe em razão do tic-tac. Não, eu não fumei nada antes de começar a escrever esta coluna. Mas perceba: quem teve a ideia de dividir a vida em frações é um gênio. Criou junto com o tempo a bendita esperança, sentimento impossível de existir caso não houvesse relógio e calendário. Porque se o seu minuto não está bom você acredita que o próximo vai ser. Se a manhã é estafante, a tarde vai ser tranquila. Se um dia foi horrível, o seguinte vai ser ótimo – a menos que o próximo seja segunda-feira, mas aí também já é brincadeira.

Mar: cenários de diversos recomeços
O ápice da esperança motivada pelo tempo é o Ano-novo. Já começa pelo nome: a virada. É o dia da mudança, do recomeço, de prometer dieta. E tentamos nos reinventar novamente com codinomes babacas como “Eu versão 2012”, como se atualizássemos nosso sistema operacional-sentimental-racional embutido. E a primeira mudança drástica na vida é separar os álbuns do Facebook por fases: é o “2011”, o “2012”, o “Faculdade” e o “Escola” – a exceção é o batido “Tudo junto e misturado”, mas tem gente que é desorganizada mesmo.

De fato, mudar pode ser bom. Eu mesmo estou mudando – de casa, no caso –, saindo da barra da saia da mãe e de baixo das asas do pai. Alguns anos atrás, na adolescência, eu achava que ficar longe deles seria garantia de liberdade pra mim; hoje, percebo que vai ser para eles. A sós vão se libertar das músicas do Iron Maiden, terão menos papéis com entrevistas espalhados e nenhuma pessoa caminhando pela casa de madrugada ou dormindo com a TV ligada e o notebook em cima do peito. Enfim, todos os benefícios de um lar sem filho jornalista. Sem contar que vão poder recordar do tempo de namoro fazendo estripulias em cima da máquina de lavar roupa. Não que eu queira saber, é claro.

Inove, djow!
Mas a verdade inevitável é que só mudar não é garantia de versão melhorada. Se reinventar pode ser bom ou mal, tudo vai depender dos novos rumos que você quer dar à vida. Eu poderia lagar o Jornalismo e entrar para o mundo do crime ou começar a me prostituir, por exemplo, e não seria uma mudança boa. No orçamento, talvez, mas eu teria que reduzir a minha expectativa de vida num caso e aprender a botar camisinha com a boca noutro. Não vale a pena.

A vida é cheia de vírgulas e reticências, já que temos dificuldade em usar pontos finais. E toda mudança requer um novo capítulo ou pelo menos um novo parágrafo, que começa a ser escrito quando você, o autor, bem entender. Mudar de linha nem sempre é fácil. Mas pode valer a pena caso você pense muito bem no que vai por no papel. A única recomendação é: tenha cuidado com a sua história.

PS: Agora, com vocês, 30 Seconds To Mars.



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 3 de abril de 2012.

terça-feira, 27 de março de 2012

Sobre animais de estimação

Eu sempre quis ter um pinto. Desde pequeno, queria ter um pinto. Não me entendam mal, mas pra mim o bicho é engraçadinho. Acho até que foi influência da Edna. Edna era uma moça que trabalhava na faxina lá em casa e chocava ovos de galinha no sovaco, uma graciosidade. Lembro-me que ela tinha porte pequeno, fumava e ostentava várias tatuagens pelo corpo. Enfim, o padrão que se procura numa empregada.

A Edna, essa que chocava ovos de galinha no sovaco, morava perto da minha casa, nos fundos do terreno de uma vizinha que tinha um macaco. Você agora pode estar pensando que fui criado em meio a uma tribo massai no Quênia. Não. Este cenário tão absurdo quanto real é a boa e velha Araranguá dos anos 90. Não me recordo com clareza daquele macaco da vizinha, mas ainda sei que o adorava. Pelo que me recordo, o primata teve que ir embora. Houve algum problema com outros vizinhos, uns bananas.

Cresci com animais em casa. Não, não estou falando de meus pais – até porque a adolescência já passou... Lá em casa já tivemos cachorro, gato, peixe e um papagaio criativamente chamado de Louro, um bichinho bacana criado livremente, mas com um vício terrível em tele-sexo. O.k., a parte do tele-sexo é mentira.

Meu pai e eu sempre adoramos animais, especialmente cachorros vira-latas, mas minha mãe nunca foi muito fã. A verdade é que ela não teve experiências boas com os cães que passaram lá por casa, apesar de todos terem sido muito prestativos: recolhiam as roupas do varal, informavam com as unhas que as portas estavam fechadas, defecavam na casa para não sujar o pátio. Até hoje nos perguntamos por que não deu certo.

A minha sogra tem uma cadela muito simpática, a Bilu. A Bilu é uma mistura clássica de Street Dog com Jaguara, coisa mais linda. É a guardiã da casa, desde que não haja fogos de artifício ou chuva, trovões e relâmpagos: nestes casos, é a primeira a abandonar o barco. Encurtando conversa, é uma cagona.

Além da Bilu, minha sogra agora deu pra andar pra cima e pra baixo com uma galinha. A danada já tem até nome: Matilda. Penso eu que a galinha da minha sogra – sem trocadilhos com a família, por favor – é um ser raro da espécie: nunca vi bicha tão feia de magra. Atualmente há uma grande polêmica na casa, pra saber se a Matilda vai ou não parar na panela. A votação continua e a chocadeira já está no paredão: é que montaram um galinheiro pra sem carne ao lado do muro.

O fato é que um animal sempre movimenta o lar e é preciso estar preparado para recebê-lo. A Matilta, por exemplo, tem feito todos acordar às cinco horas da matina por conta do cacarejo. Não que o canto seja muito alto, mas ninguém consegue dormir com a minha sogra caminhando pela casa: é que ela vai até a galinha fazer “shhhhhhhh”. E a Matilda obedece, garante. Viu o trabalho? Pois é. E nem todo mundo tem a consciência, ao comprar um animal, de que aquele bichinho vai precisar de atenção – e que, ao contrário de Jesus Cristo e dos não menos gloriosos Tamagotchi, eles não ressuscitam após os maus tratos.

Aliás, você já parou pra pensar no termo “animal de estimação”? Animal de estimação é todo e qualquer bichinho pelo qual você tenha algum apreço. Não basta apenas ter o animal: é preciso cuidar da criatura. Tem gente com bicho em casa que não tem a mínima estimação pelo infeliz. É o tipo de pessoa no qual – penso eu – não se pode confiar. Lembra da Edna, a empregada do começo da conversa? Ela podia ser meio estabanada, não ter uma aparência exatamente boa, ser aquela mulher que você não colocaria pra limpar a casa pelo estúpido estereótipo que procuramos em todo mundo. Mas a Edna cuidava de seus pintos com estima. E de mim com afeto. Era o que bastava. E você, que é “normal”, o que faria pela vida de um pinto? Responda a si mesmo.

PS: Agora, com vocês... Gugu Liberato!



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 27 de março de 2012.

terça-feira, 20 de março de 2012

Vinte e dois homens atrás de uma bola

Garotada no futebol: desde sempre
Vinte e dois homens correndo atrás de uma bola. Para boa parte das mulheres, essa é a melhor definição que se pode dar ao futebol. Para outra boa parte, é a única. E mais: isto não faz o menor sentido para elas.

Os homens já nascem pré-dispostos a gostar de futebol. Minha mãe conta que eu fazia até embaixadinhas no ventre dela, coisa mais linda... E quando o menino nasce, quais os presentes mais comuns? Roupinhas de time. Meu afilhado recém-nascido, coitado, já ganhou vestimentas de Grêmio, Santos e São Paulo – por enquanto. O menino anda tão indeciso que, penso eu, vai acabar torcendo só pra seleção brasileira. Na Copa. Em jogo de final.

Quando o garotinho cresce, que presente ganha? Uma bola. É pra cima e pra baixo com a gorducha no pé, incomodando todos os tios e primos mais velhos para jogar uma travezinha livre que seja, um mano a mano, um bobinho qualquer. E as meninas, onde estão? No quarto, brincando de casinha, num mundo perfeito onde o Ken não sai pra bater pelada na sexta-feira à noite com a turma deixando a Barbie sozinha. Doce ilusão.

As mulheres crescem e o futebol continua sem sentido. Aos dezessete elas estão lá no recreio da escola, devidamente perfumadas e vestidas em suas calças colantes, e a molecada, vai pra onde? Pra quadra de futebol. Retornam às paqueras suados, vermelhos do sol, de raiva pelo sinal que bateu cedo demais. Bobos porque ganharam, tolos porque perderam. Por que existes, maldito futebol?

A essa altura a mulher já não suporta ouvir falar da bola. Está cansada de ver vinte e dois correndo na TV quarta-feira à noite, sábado e domingo à tarde. Vai questionar por que existe impedimento, vai se irritar com o zero a zero chato, vai odiar a reportagem com os melhores momentos do jogo – aquele que terminou em zero a zero e acabou de passar.

Gostamos de futebol e ponto. Não confie num homem que não goste – bom sujeito não é. Mas não se trata de uma competição com vocês, suas lindas. E não se esqueçam que também toleramos a novela, sem ao menos questionar porque vocês fazem tanta questão de ver o capítulo depois de saber exatamente o que vai acontecer com o Pereirão lendo o resumo no jornal. Então tenhamos calma. Até porque nós somos seus todos os dias. A menos que tenha jogo.

PS: Agora, com vocês, Skank...



Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 20 de março de 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

Mulheres, suas lindas!

Homens: aos pés delas desde sempre!
E Deus criou a mulher... e Ele viu que era boa! As danadas comemoram o seu dia internacional depois de amanhã e, claro, nós somos obrigados a lembrar – o que me faz recordar, também, que a reciprocidade é zero. Mas como somos queridos, fofos, quase panacas, ói nóis aqui traveiz! Homens sensíveis que somos reunimo-nos só para gritar, em uníssono, parabéns, suas lindas! E só pra constar: essa coluna contém opinião e humor de quinta, só que na terça-feira. Então não pensem que vocês vão escapar de uma piadinha ou outra, nas próximas linhas, só porque está perto do 8 de março...

Dizem que o nosso Senhor meu Deus fez a mulherada a partir da costela do homem, mas a Angelina Jolie deve ter saído mesmo é da picanha. No mais, explica muita coisa terem vindo da costela as nossas queridas companheiras – isso no caso de você também ser um destes caretas
Esqueci o que ia escrever aqui
heterossexuais, é claro. Primeiro porque toda mulher é osso duro de roer. No melhor e no pior dos sentidos. Elas são capazes de aguentar firme, por exemplo, todas as provações de um mundo que ainda é essencialmente machista. Agora tente convencê-las de que não necessitam de mais um par de sapatos...

Ainda falando sobre a criação divina, esta tese sempre gera discussões. As mulheres vivem nos chamando de rascunho, pelo fato de termos sido criados antes das “obras-primas do Senhor”. Tolice, até porque elas sequer saíram de uma carne considerada nobre. Mas sem brigas. Para ser
TPM: tendência para matar
franco mesmo, sem vocês o churrasco não ficaria completo e, provavelmente, eu viveria como um triste vegetariano.

A verdade é que se Deus criou algo melhor do que a mulher guardou para Ele. Eu ainda acredito piamente que exista alguma versão de testes sem TPM guardada lá pelas bandas do paraíso, mas infelizmente não há comprovação científica para tal tese. Não que a tensão pré-menstrual seja algo que irrite apenas os homens, óbvio. É pior: a TPM é a verdadeira causadora de todo o mal existente no mundo. Quantas vidas humanas, quantas roupas jogadas pela janela, quantas casas incendiadas não poderiam ter sido preservadas caso a TPM não existisse? Jamais saberemos.

Dilma: Limpa a PORRA do pé, Palocci...
Se hoje a mulherada é muito celebrada, nem sempre foi fácil. A elas não cabia pensar, ler, votar, falar, ser. Barreiras que graças a Deus, e graças ao empenho delas, foram superadas. Hoje temos mulheres nos mais altos cargos executivos, no comando de empresas e de países e até mesmo em profissões pouco “femininas”, como a de caminhoneiro(a), dá pra acreditar? Mas é claro que nenhuma profissão tem sexo pré-estabelecido... Pesquisa recente do Fantástico mostrou que são elas, aliás, que estacionam melhor o carro. Seguros de veículos também são mais baratos para a mulherada, as quais seriam mais atenciosas ao volante... Algumas calotas contestam, mas ainda não há reclamação formal registrada.

Cravo bom de espremer: coisa de mulher
Poder conviver com uma mulher é provavelmente a experiência mais significativa que um homem pode ter durante a vida. Com minha mãe, por exemplo, aprendi que se deve baixar a tampa do vaso sanitário após usar o banheiro – algo que jamais descobriria com papai, possivelmente. Com minhas amigas, aprendi o significado das palavras blush, strass e bojo – essa última sempre acompanhada da palavra “decepção”. Com minha namorada, aprendi que o chocolate pode ser a cura e que as flores podem ser o perdão. Ou não, mas não custa tentar. A todas, o meu obrigado. Parabéns!

PS: Agora, com vocês, Neguinho da Beija-Flor...



Mulher, mulher, mulher,
mulher, mulher,
mulher, mulher.

Texto publicado na coluna “Devaneios” do jornal Sem Censura em 6 de março de 2012.